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Saúde adota TI e vira a página

TI Inside Online - www.tiinside.com.br

22/05/2009

Pedro Silva (nome fictício) trabalha no extremo da cidade. Passou mal e foi levado ao Centro de Saúde mais próximo, onde foi pré-diagnosticado por um Clínico Geral. Recebeu medicação preventiva e foi encaminhado a um especialista da rede pública em um dos hospitais principais. Lá, fez mais uma bateria de exames e foi medicado novamente, desta vez com remédios especiais para o caso diagnosticado. Recebeu alta. Chegou em casa bem, depois de cruzar o município, mas passou mal novamente durante a madrugada e foi levado a um outro Centro de Saúde próximo a sua residência... Uma pausa para a história: estamos falando de atendimento público e já dá para imaginar qual foi o resultado. Pedro Silva refez todos os exames, foi encaminhado e medicado mais uma série de vezes...

A peregrinação dos cidadãos brasileiros e de outros tantos no mundo, pode ser menos traumática com o uso da tecnologia da informação. Por exemplo, aqui mesmo no Brasil, no Distrito Federal, a falta de informações não é mais problema para os hospitais públicos. A região está perto de se tornar uma referência nacional na área médica, graças ao seu Sistema Integrado de Saúde (SIS), um projeto que prevê a integração entre pediatria, centro cirúrgico, pronto socorro, leitos de UTI, postos de saúde e farmácias por meio de um banco de dados baseado em SQL. A TI chegou à área médica e já posiciona o Brasil como fonte de referência.

Antes mesmo de contar os benefícios e as tecnologias implantados pela Secretária Estadual de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), vale o adendo de que suecos, chilenos e indianos já formaram "caravanas" para ver de perto o sistema funcionando. "Sem contar os coordenadores de grandes hospitais brasileiros, como os do Sírio Libanês e do Hospital São Luiz, que estão conversando conosco constantemente para entender as soluções e replicá-las em suas" diz José Ruy Demes, assessor da diretoria de gestão de tecnologia da informação (DITEC), para quem tudo consiste numa unificação completa do atendimento de saúde do Distrito Federal.

A regional Samambaia, que engloba um hospital e quatro centros de saúde – a mais procurada no DF – foi a primeira a ter o sistema totalmente implementado. Agora, o cidadão faz um exame e recebe login e senha para retirá-lo via internet, como acontece nos laboratórios particulares. O processo já ultrapassou 6 mil acessos diários ao portal de exames.

"Além disso, todos os médicos têm a sua agenda registrada no sistema e os leitos de UTI da rede pública e privada estão tecnologicamente integrados, de modo que em poucos minutos é possível prever o próximo leito a ficar disponível para os pacientes", diz Demes. Assim, elimina-se qualquer tipo de indicação para leitos que não seja por razões técnicas. Ou melhor: "honestas". E o resultado é surpreendente: agora, os leitos procurados na rede pública hospitalar são disponibilizados em 48 horas no máximo. Antes, isso levava mais de uma semana.

Melhor ainda é que a maioria dos atendidos não precisa passar pela UTI. Aliás, 80% deles sequer são avaliados por um médico especialista, de acordo com um estudo da SES-DF. Os Centros Médicos (o popular postinho) – há quatro interligados entre si e ao hospital Samambaia, mas em todo o Distrito Federal existem 74 – tratam todos os pacientes, a partir de atendimentos feitos por Clínicos Gerais.

"Esse médico gera um prontuário eletrônico para o cidadão e solicita, no mesmo instante, o exame por meio de um desktop integrado à rede. Em seguida ele prescreve os medicamentos necessários e gera um protocolo para a farmácia do hospital, que o disponibiliza imediatamente", diz Demes. "O paciente, então, faz o exame e retorna até o clínico, que acessa o resultado direto do computador. Tudo isso sem um papel", comenta.

Nos quartos de internação todos os dias os médicos especialistas fazem as visitas para observação e prescrição de novos exames e medicamentos aos pacientes em leito. Isso gerava um volume imenso de informação e contribuía para as estatísticas negativas do setor, cujas estimativas sinalizam baixa produtividade de médicos e enfermeiros. "Gasta-se muito tempo em atividades não relacionadas à terapia do paciente", diz Avi Zins, consultor de TI, especializado no setor de Saúde. Segundo ele, no Brasil, apenas 40% do tempo do médico é gasto com o paciente, número que baixa para 30% no caso do corpo de enfermagem. Nos Estados Unidos, a relação é de 55% para médicos e 45% para enfermeiros; e na Inglaterra de 45% para médicos e 25% para enfermeiros. "Não estamos muito longe da média negativa do mundo", brinca.

Mas em Brasília, a história começa a se inverter, a partir do momento em que os médicos fazem a prescrição direto no computador – ou as enfermeiras fazem para ele –e essa receita gera, novamente, a demanda no laboratório ou na farmácia. "Estamos terminando os testes para implementar o uso de PDAs (personal digital assistants) para os médicos. Assim, eles poderão prescrever direto do leito e agilizar ainda mais esse processo", conta Demes. Uma ressalva: havia forte resistência do profissional médico quanto às tecnologias. Por isso, o órgão do DF preferiu adaptá-los primeiro ao prontuário eletrônico por meio de desktops para depois avançar para o PDA. No momento desta reportagem, Demes e sua equipe estavam finalizando os últimos detalhes para abrir o edital de compra dos equipamentos portáteis.

Identificação

O DF também avançou na organização da identificação dos cidadãos. Todos os pacientes atendidos pelos hospitais que já estão integrados recebem um Cartão de Saúde do Cidadão, com o qual é possível acessar seu histórico médico. Os dados são ordenados no banco de dados Caché, da Intersystems, baseado em SQL. São informações armazenadas em um data center com 5.2 TeraByte de capacidade, suportado por dois servidores P.570, da IBM.

Os computadores utilizados, tanto nos consultórios médicos quanto nos quartos de internação, vêm com 1 GB de memória RAM e placa Core 2 Dual 2.5, suficientes para rodar a aplicação. Atualmente, três hospitais – contando com o Samambaia – e 10 Centros de Saúde estão interligados com a tecnologia. Quando concluído – em 2010, segundo a expectativa do governo do DF – o SIS terá 15 hospitais e todos os Centros de Saúde conectados por um backbone próprio da Secretaria Estadual de Saúde.

Em julho faz um ano que o sistema foi implantando no primeiro hospital, o Samambaia. Mais de 1,1 milhão de prontuários eletrônicos já foram gerados e 320 mil cidadãos do DF têm o Cartão de Saúde do Cidadão. Fernando Vogt, diretor de vendas da Intersystems, fornecedora ativa no projeto do governo do Distrito Federal, diz que somente em medicamentos administrados nos hospitais e centros de saúde a economia chega a 74% em injetáveis e 70% em comprimidos. "A dose certa minimiza risco. Além disso, a administração se capacita para entender melhor à saúde da população, e a informação fica registrada e disponível para qualquer outro atendimento", descreve Vogt. Do lado do usuário, Demes avalia que de todos os custos do hospital, houve redução de 50%.

Todos os 90 Almoxarifados Centrais para estoque de medicamentos também estão interligados, de modo que o cidadão necessite apenas do seu cartão de identificação para retirar medicamentos. Até o momento foram investidos R$ 15 milhões,mas a previsão final é chegar a
R$ 20 milhões, sendo que os maiores gastos foram com a concepção e as primeiras instalações, segundo Demes.

População idosa

O exemplo de Brasília ganhou o mundo e o restante do País, porque as estatísticas apontam para um estado crítico do setor de Saúde, até mesmo em países mais desenvolvidos como os Estados Unidos. É preciso revisão e organização dos processos para aumentar a produtividade e a eficiência do Setor; os aplicativos precisam ser atualizados e integrados; e é urgente uma comunicação mais eficiente entre os vários órgãos e as empresas prestadoras e consumidoras de serviços neste universo.

Uma série de mudanças que ganham importância quando atreladas à estimativa de que em 2025 o Brasil terá uma população com perfil semelhante à Itália, país em que os cidadãos com mais de 65 anos de idade representam entre 17% e 20% do total da população, cinco pontos percentuais acima da média européia, e aonde a esperança de vida alcançou 78,8 anos para homens e supera os 84 anos para as mulheres.

"Tenho ouvido de vários profissionais do setor e também defendido que só conquistaremos capacidade para gerir o complexo processo de Saúde utilizando os recursos da tecnologia da informação", afirma Vogt, da Intersystems, empresa mundial, com receita de US$ 500 milhões, e que vem conquistando liderança no mercado brasileiro, com 75% do faturamento originado na área de Saúde.

O caos a que se refere Fernando Vogt tem números. Dois terços dos 191 milhões de brasileiros usam serviços de saúde pública – municípios, estados e governo federal – segmento que, segundo o executivo, vive um momento de forte investimento em TI para se organizar. "Estamos falando sobre a construção de mecanismos que auxiliam a organização dos serviços", diz o diretor da Intersystems, para quem as oportunidades vão desde a oferta de aplicativos de prontuário eletrônico, passando por sistemas de gestão clínica, seja no modelo convencional de licença de uso ou no modelo de aluguel de software (ASP), até o uso da internet com conexão de alta velocidade.

"Tanto na parte de outsourcing, quanto em internação ou prevenção, as oportunidades serão muito boas ao longo deste ano", diz Severino Benner, presidente da Benner Sistemas, empresa que tem 45% da receita no setor de Saúde. E ele parece ter razão. Até mesmo nos serviços mais simples envolvendo tecnologia, como o service desk (ajuda ao usuário), o outsourcing se faz valer como otimização de produtividade e resultado eficiente.

No Hospital São Luiz – um dos mais avançados do País, composto por três unidades e com mais de 52 mil internações por ano e 840 mil exames gerenciados por 4,5 mil colaboradores – a terceirização de service desk elevou a satisfação dos usuários para 96%. Isso dentro de um nível de acordo de serviço de 95%, firmado em contrato com a Asyst Sudamérica, empresa especializada na terceirização do departamento de infraestrutura e que presta o serviço para o hospital. Esse acordo também prevê que a fornecedora tem o prazo de até 82 segundos para atender 80% dos usuários que permanecem na fila, aguardando pelo suporte.

A terceirização, segundo Cristina Marques, gerente corporativa de TI do Hospital, foi necessária após a contratação de funcionários durante os últimos três anos. "Quando falamos em crescimento, também falamos em aumento das equipes de trabalho e novas unidades operacionais. Só um BPO (Business Process Outsourcing) detalhadamente planejado pode suportar e oferecer o apoio necessário", diz ela. "O hospital cresceu e o número de usuários também, o que fez com que a complexidade dos atendimentos aumentasse. Para suportar esse quadro era fundamental termos um trabalho altamente profissional, o que nos levou a optar pela terceirização do service desk", complementa.

No atendimento final

Enquanto os hospitais reformulam os seus ambientesinternos, na outra ponta há 50 milhões de usuários de serviços de saúde suplementar, clientes de seguradoras (Sul América, Bradesco Seguros, etc.), ou empresas de medicina de grupo, como Unimed, Medial e Amil, que agendam suas consultas e exames antes de chegar ao hospital. "Essas empresas também precisam de um modelo de gestão tecnológico, porque ninguém ainda tem capacidade de enxergar o todo. Uma necessidade até financeira e de negócio", arrisca Vogt, da Intersystems. Ele avalia que o setor de Saúde como um todo abrirá grande oportunidade de negócios em 2009 nas áreas de gestão, planejamento e organização, para melhorar o atendimento.

Antonio Carlos Endrigo, diretor comercial, de marketing e produtos da Orizon, empresa criada a partir da fusão da Polimed e da Dativa, ambas fornecedoras de soluções tecnológicas para operadoras de planos de saúde, pontua que as empresas mais evoluídas em termos tecnológicos são as seguradoras, devido à intensidade da regulamentação.

Ele separa as prestadoras de serviços em hospitais, laboratórios, clínicas e médicos. "Hospitais e laboratórios vêm, durante muito tempo, investindo em TI e com o TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) minha percepção é que, embora reclamem, se engajaram e têm visibilidade dos benefícios a longo prazo. Acredito que em breve teremos uma uniformidade entre eles em termos de informatização aplicada à gestão", pondera, ressaltando que as clínicas e consultórios médicos apresentam as mesmas distorções encontradas nas operadoras, ou seja, alguns muito bem preparados e outros ainda sequer planejando a informatização.

A razão para a discrepância do setor em relação ao restante do mercado brasileiro se deve à dificuldade de calcular, a curto prazo, os benefícios de investimento TI. Problema que, na opinião de Avi Zins, tem origem no nível de envolvimento dos profissionais deste Setor com o tema. Segundo ele, a saúde no Brasil movimenta US$ 150 bilhões de dólares ao ano, sendo US$ 70 bi pelo governo e o restante pelas instituições privadas. "Deste total, TI deve receber aproximadamente US$ 300 milhões de investimento, o que representaria 0,2% da receita do setor, media abaixo dos 0,5% aplicados por outras verticais", avalia. O montante é disputado pela Benner, a Orizon, a MV Sistemas, a Intersystems (que incorporou a australiana Treck Health), a Nexus, a Wheb Systems, e outras empresas de TI especializadas ou não em Saúde.

Investimento em rede

Se as contas de Zins estão corretas, o Hospital Santa Catarina (SP) foi responsável por boa parte dos investimentos no último ano e deve continuar sendo nos próximos tempos. "Em 2005 fizemos uma solicitação de nova infraestrutura para minimizar as 'pancadas' que tomávamos de outros departamentos, pois, qualquer problema de informática que aparecia, o culpado era sempre a rede. E não tínhamos como desmentir, pois era impossível fazer o gerenciamento dela", diz Marco Aurélio Valsirolli, supervisor de infraestrutura do Hospital Santa Catarina, salientando que a rede antiga era arcaica e não tinha conceito de cabeamento estruturado, se tornando uma infraestrutura totalmente "empilhada" com hubs em todos os cantos.

Ele e sua equipe conseguiram a aprovação dos dirigentes do hospital para estruturar uma nova rede, com preceito principal de fazer o tráfego de dados por um único protocolo, unificar todas as unidades de negócios (mesmo criando VLANs – redes locais virtuais – para gerenciá-las) e entrar com um conceito de cabeamento estruturado – em categoria 6, capaz de trafegar até 1Gbps e que na visão do especialista não demandará investimento em cabeamentos nos próximos dez anos. "Agora temos uma rede toda certificada, com 25 anos de garantia, e os problemas em aplicativos já não são mais jogados para o nosso departamento, pois agora podemos provar que temos infraestrutura suficiente e homologada para rodar ou não determinado sistema". Valsirolli explica que no Hospital Santa Catarina há uma equipe cuidando de TI e outra voltada só para a rede.

O projeto técnico desta infraestrutura foi implementado pela Tecnolink, empresa de consultoria e instalação de redes de cabeamento que utilizou switches de core e de acesso da 3Com. "Temos trabalhado com diversos clientes na área de Saúde e os projetos que desenvolvemos tem sempre um retorno positivo", afirma Antônio Mariano, diretor de tecnologia da 3Com.

Valsirolli salienta que a rede é suportada por um backbone de 1 Gigabit/Ethernet, mas com capacidade de chegar até 10 Gigabit/Ethernet. "Também estamos montando um novo data center para suportar os dois core switches novos, sendo que um ficará como redundância, roteando uma estrutura idêntica à principal", diz. "Com essa infraestrutura pudemos criar nove VLANs, uma para cada demanda de serviço, como Circuito Fechado de TV, Departamento Administrativo, tráfego das PACs (Picture Archiving and Communication System) e outros", diz.

Aliás, o hospital está começando as primeiras implantações de PACs para transmitir exames via rede, de forma que o médico possa acessar uma tomografia – por exemplo – direto do seu desktop, sem precisar dos filmes impressos, como é de costume, solução que representa agilidade e economia para a operação. "Ainda não temos a experiência de trafegar esta tecnologia, mas já sabemos que a nossa rede a suporta, pois prevendo o tráfego máximo – que é justamente de uma tomografia ou de uma ultrossonografia – cada exame consome 200 Mbps de banda", avalia.

A nova infraestrutura está abrindo os olhos da diretoria do Hospital Santa Catarina para outras soluções que podem agilizar ainda mais o atendimento médico. Agora, os especialistas estudam a implementação de PDA para os médicos, o que demandará mais investimento em wireless switch e em 140 pontos de acesso no padrão de transmissão Wi-Fi 802.11n, capaz de cobrir um raio de alcance de até 500 metros. "Avaliamos que para os 79 mil m² de área construída do Hospital, 70 access point são o suficiente. Mas estamos aguardando uma definição da área de TI quanto a usabilidade e viabilidade econômica para implantação dessa nova tecnologia, algo que não deve acontecer neste ano, devido a todo o cenário macroeconômico que dispensa mais explicações". Essa implementação demandará investimento de R$ 400 mil, em média.

Intensivo

Outra solução em estudo pelo hospital é a telefonia IP, que vai demandar investimento médio de R$ 300 mil, nas contas de Valsirolli, para a implementação de ramais móveis e fixos, valor que, segundo ele, é altamente justificável, em virtude dos benefícios econômicos que o Hospital terá. "Ainda não terminamos o estudo de retorno sobre o investimento, avaliando otimização de tempo e outros benefícios, mas já sabemos que somente com redução de custos com telefonia o projeto se paga em pouco tempo intensivo", diz.

Com demanda de atendimento diferente de um hospital, mas não menos crítica, os R$ 8,3 milhões que serão investidos pela Central Nacional Unimed em tecnologia da informação representam cerca de 1% da receita da companhia, cuja previsão é atingir US$ 900 milhões em 2009. "Normalmente, as empresas investem 0,5% do faturamento em TI", lembra Mario Sohei Ishihara. A justificativa do executivo é a renovação do parque de hardware devido ao aumento do número de usuários, que fechou 2008 com 782.700 e está projetando crescimento de 10% em 2009.

Oupgrade do hardware é um processo empreendido pela equipe da Central Nacional Unimed nos últimos 3 anos, período em que a empresa adquiriu novos servidores e dispositivos de armazenamento (storage) e memória, além de novos desktops e do início de um projeto de virtualização, ainda não consolidado.

A companhia também investiu em novas versões dos bancos de dados Oracle e SQL Server, este último da Microsoft, e na compra de um novo pacote de aplicativos de gestão, substituindo o Siamed Plus pelo TopSaúde, da empresa Top Down, do Rio de Janeiro. "O primeiro foi desenvolvido pela Unimed do Brasil e o Top Saúde é de um fornecedor externo", explica Ishihara.

A troca, segundo ele, ocorreu porque a companhia buscava um sistema baseado e acessado via web, capaz de suportar o volume de informação gerado pela companhia.

A Central Nacional Unimed precisava de um novo sistema de gestão para administrar a entrada e a saída de informação, segundo o executivo de TI, para quem a principal facilidade do sistema é a alimentação de
informações via web, tanto dos prestadores de serviços, quanto de médicos e empresas clientes. "O sistema de folha de pagamento da empresa gera um cadastro que a Unimed implanta internamente. Eles poderão fazer um upload destas informações via internet", explica o executivo.

Também pela internet, o sistema permite a emissão de extrato de uso de serviços e uma série de outras consultas tanto para pessoas físicas quanto para as empresas. "A nova tecnologia tem interface para nosso ecossistema. Nossos médicos credenciados precisam de autorizações eletrônicas, um sistema que permite a inserção de dados por várias vias (PoS - point of sale; sistemas biométricos; por digitação; cartão magnético; ou mesmo por telefone). Hoje toda a autorização é feita via web", diz o executivo.

Em novembro do ano passado, a Central Nacional Unimed ativou o sistema TISS para os médicos; solução que já foi entregue aos hospitais, laboratórios e clínicas. A TISS é o faturamento eletrônico padronizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Quando o usuário vai a um laboratório ou a um consultório médico, assina uma guia padronizada, que é digitalizada no padrão da ANS.

Para melhoria da produtividade interna, a Central Nacional Unimed desenvolveu o projeto "intercâmbio eletrônico nacional", a partir do qual o cliente que estiver fora da sua praça pode solicitar, via internet, autorizações para tratamentos. o sistema já está sendo utilizado por 70 unidades regionais da Unimed, que fazem o intercâmbio eletrônico automático (falando computador-
computador), mas a meta da companhia é ultrapassar um terço das 377 cooperativas com respostas automáticas para tratamento.

No segundo semestre deste ano, com disponibilidade prevista para o início de 2010, a companhia pretende iniciar um projeto de business intelligence, sistema que faz parte do pacote de aplicativos Top Saúde, praticamente o último módulo da implantação. "Com isso vamos gerar os relatórios que as empresas e as corretoras necessitam, principalmente aquelas empresas que têm contrato por custo operacional e precisam controlar o uso dos seus funcionários", diz Ishihara.

Ele acredita, no entanto, que o projeto que colocará a companhia à frente do seu tempo e dos concorrentes é o GED Workflow, para gerenciamento eletrônico de documentos. "Este projeto padroniza e dá um pouco mais de agilidade aos nossos processos internos. À medida que as Unimeds enviam faturamento manual, eles são passados em um scanner e transformados em documentos digitais", resume. Assim como nas demais companhias da área médica relatadas, a Unimed caminha para uma realidade sem volta: o tráfego de dados e imagens e o fim dos papéis.

ARM para exame médico

Imaginem a facilidade que os cidadãos do Distrito Federal, por meio do Sistema Integrado de Saúde (SIS), terão se puderem acessar o seu histórico médico em um terminal de autoatendimento posicionado estrategicamente pelos bairros, como são os ATMs dos bancos? Sim, isso já é possível. A empresa brasileira VEUS criou um terminal de autoatendimento para agendamento de consultas e retirada de exames e está disponibilizando-os em laboratórios e hospitais. A Rede LABS Dor, por exemplo, já dispõem de um terminal na sua unidade no bairro de Botafogo (RJ).

No VEUS Totem, como é chamado, os pacientes podem acessar seus exames, enviá-los por e-mail, ou ainda imprimi-los diretamente, sempre usando a sua identificação e senhas exclusivas. Segundo a desenvolvedora, qualquer empresa pode adquirir a solução, desde que já tenha o seu software em operação. Assim, o equipamento é fornecido na forma turn-key, onde a implantação e manutenção não dependem da infra-estrutura tecnológica do cliente, ou seja, a própria VEUS instala e garante a operação dos equipamentos em âmbito nacional.