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Hospital Samambaia torna-se hospital sem papel adotando o pronturário eletrônico.
Decision Report Online
11/02/2009
Hospital Samambaia adota prontuário eletrônico
Claudio Bernardo Freitas fala orgulhoso do projeto realizado, entre julho de 2007 e fevereiro de 2008, no hospital público da regional de Samambaia, do Distrito Federal: "a pessoa chega no pronto socorro, entrega o cartão cidadão no guichê, o nome dele cai na lista dos pacientes e toda equipe médica e enfermeira já acessam o tempo de espera e o histórico do paciente. O acesso à informação permite que a equipe já classifique o risco do caso. O paciente é anunciado no alto-falante por meio de reconhecimento de voz, de acordo com a decisão do médico, que pode atendê-lo acompanhando da tela do computador, que alerta quando a medicação ou o pedido de um exame foram realizados para dar alta aos demais pacientes'.
Freitas, diretor geral do Hospital Regional de Saúde de Samambaia (HRSS), continua explicando cada processo dos demais ambientes do Samambaia, com entusiasmo surpreendente para um médico que não se considera nenhum geek ou tecnólogo. Pelo contrário, a paixão de Dr. Freitas é mesmo pela capacidade da medicina ajudar a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Mas todos processos citados pelo diretor geral do HRSS fazem parte do projeto de Tecnologia da Informação, que começou pela automação do prontuário médico no centro de saúde dos ambulatórios, em julho de 2007. Após adotar o processo eletrônico em todas áreas do hospital, a instituição abandonou o velho papel no dia 14 de fevereiro de 2008.
Sistema Integrado de Saúde
O projeto faz parte do novo Sistema Integrado de Saúde do Distrito Federal, implementado pela primeira vez no Brasil em todos os hospitais públicos da região, utilizando tecnologia da Intersystems. Em desenvolvimento há dois anos, o projeto visa a melhoria da qualidade de gestão, por meio da criação de uma comunidade digital de saúde e pela adoção do prontuário eletrônico.
Dividido por diferentes módulos, o Sistema Integrado de Saúde está sendo implementado em algumas unidades da região. Na cidade de Samambaia, cuja população é de 160 mil habitantes, o sistema adotado começou pelo prontuário, que já gerou uma redução de 75% no consumo de comprimidos e 70% no consumo de injetáveis. Estima-se que mais de 60% da população de Samambaia já foi atendida a partir do novo sistema. Até o momento, mais de 1 milhão de prontuários eletrônicos foram registrados na entidade.
"O Samambaia tornou-se um hospital sem papel", comemora Freitas. A sensação ao ouvir o médico ressaltar a importância dessa mudança é de que os médicos vivem uma revolução dentro de casa: agilidade no atendimento, controle nos custos, transparência nos processos e, principalmente, muito ânimo para seguir em frente para as novas possibilidades que o ambiente web pode trazer à comunidade médica do Distrito Federal a partir do acesso às informações do paciente. "O próximo passo é convencer os médicos a trocar os diagnósticos entre eles ao invés de deslocar o paciente de uma cidade para outra", antecipa Freitas.
Como foi a implementação?
O segredo do Dr. Freitas para conseguir motivar e inserir a equipe no projeto parece que trata-se apenas duas receitas: respeito e integração "Tive a preocupação estratégica de não mudar a prática", ensina.
Ele explica que não queria aproveitar a informatização para mudar a maneira dos médicos trabalharem. "O formulário foi desenhado considerando exatamente o hábito dos médicos em escrever no papel. O pessoal aconselhava inserir uma nova informação para aproveitar o sistema, mas eu não deixava. Se eu não controlava isso no papel porque iria criar isso agora. Não queria despertar antipatia pelo sistema nem criar burocracia", explica.

